abô u mundo!
Recente polêmica ainda agita os meios educacional e cultural. O livro “Por uma Vida Melhor”, adotado, comprado e distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) para centenas de milhares de alunos, sugere que o uso da língua popular – ainda que com seus erros gramaticais – é válido: “Nós pega o peixe”... “os menino pega o peixe”!!!
O livro também lembra que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”.
O jornalista Carlos Alberto Sardemberg, abordando o assunto, foi lapidar: “... precisam
saber que esse não é o correto. E, se não souberem o correto, não poderão ler aquilo que os vai preparar para a vida profissional e para a cidadania... uma pessoa que se expressa mal, que conhece poucas palavras e poucas construções, é uma pessoa que pensa mal, que compreende pouco... Dizer, em livros didáticos, que “nós pega peixe” está certo não é apenas um equívoco, é um crime”. (OESP, 16/05/2011, B2)
Os professores sabem e o restante da população precisa ter consciência de que o “incorreto não merece destaque” e que educar e formar o cidadão admitindo que a “ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa”, longe de evitar constrangimentos para o educando, perpetuará uma situação discriminatória e vexatória, na contramão da busca por uma educação de qualidade. O que esperar desse jovem ou adulto numa entrevista para arrumar emprego ou progredir na sua vida profissional?
A APROFEM sempre diligenciou para assegurar o uso correto da língua portuguesa – o tradicional “Cantinho do Português” deste Jornal é um exemplo concreto desse compromisso.
Quem luta para evitar erros crassos (“seje”, “menas”, “tinha chego”,...) e vive(eu) a espinhosa missão de educar, não pode aceitar esse estado de coisas. Zelar para que os sistemas públicos de ensino de São Paulo não aceitem essa “inovação” passa a ser mais um compromisso de todos nós.
(*) “Acabou o mundo!” – expressão popular, indicativa de irremovível
Fonte: Jornal APROFEM
1 comentários:
Sempre que possível, procuro corrigir as pessoas que me cercam e que não tiveram acesso a educação formal.
Como cidadã fiquei indignada ao tomar conhecimento dessa proposta. Acho que a autora deste livro cometeu uma grande equívoco; concordo plenamente com o artigo publicado.
Postar um comentário